Bom dia! Como vão?
Finalmente, sem menina e sem gostar dela… Ficar afim de quem não se conhece é uma coisa meio estranha… Foi um período meio que "mamãe eu sou besta", mas em todo o caso, todo mundo tem essas fases, não é?
Eu realmente hoje não tenho o quê postar… Na verdade tenho a idéia de um post em mente, mas estou com preguiça. Então nos próximos posts eu irei comparar uma de forró e com uma poesia de Augusto dos Anjos (ou então uma de Drummond de Andrade, ainda não decidi…).
Para mostrar a todos que escutar essas músicas são realmente melhores do que ler uma boa literatura… Na verdade são muito melhores, o nível das metáforas e das rimas… O quê é um Augusto dos Anjos comparado a um Calcinha Preta ou então a um Chitãozinho e Xororó?
Não é nada, realmente… E eu vou mostrar a vocês pelo nível das metáforas, entre outras coisas. Na verdade, acho que vou fazer agora, já que não tem ninguém online no meu msn e não tem nada melhor para fazer…
Primeiro vou colocar a de forró:
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Alo - Gatinha Manhosa (é um grupo desconhecido de forró…).
Liga pra mim, liga estou mal Estou sofrendo, de um grande mal É mal de amor é dor da paixão E o meu coração geme de dor
Eu pensei que fosse fácil te esquecer E tentei sair de vez da sua vida Descobri que não é fácil não é bem assim Você quer mais o meu coração é quem domina
A noite vai, raiou o dia eu vou sofrendo Outra vez aqui rolando em nossa cama Outra noite eu sem você não consegui dormi Sofro tanto sem você me telefona Dá um toque amor alô pra quem te ama
Liga pra mim, ligue estou mal Estou sofrendo, de um grande mal É mal de amor é dor da paixão E o meu coração geme de dor (dá um alô)
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Vamos começar pelo que mais me chamou a atenção nessa música (?): a rima! A única rima que o autor dessa música… É maravilhosa.. Ele rima mal com mal. Você já pensou numa rima assim? Acho que nem Drummond pensou… Nem Camões pensou. Isso é genial! Acho que eu vou fazer uma poesia sobre doce, com todos os versos terminando em chocolate… Ou então em açúcar. Ou até doce, mesmo…
Mas o ápice da música é quando ele usa uma personificação e diz "meu coração geme de dor". Tem coisa mais linda? Ou tro ponto alto também é quando ele fala "outra noite eu sem você não consegui dormir…" eu li pela primeira vez essa letra agora e até me espantei, nunca tinha pensado em ler uma coisa dessa num forró…
A noite vai, raiou o dia… Eu nunca tinha percebido que assim que a noite acaba, o dia começa, e vocês?
Depois dessa música (?) nós todos podíamos ir à alguma praça e queimar a Ilíada…
Bom, mas vamos deixar de falar sobre a oitava maravilha do mundo moderno e falemos, pois de coisas feias… Estou com um pouco de preguiça de procurar alguma poesia boa, então vou colocar a que está no meu orkut, mesmo:
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Homo infimus - Augusto dos Anjos.
Homem, carne sem luz, criatura cega, Realidade geográfica infeliz, O Universo calado te renega E a tua própria boca te maldiz!
O nôumeno e o fenômeno, o alfa e o omega Amarguram-te. Hebdômadas hostis Passam… Teu coração se desagrega, Sangram-te os olhos, e, entretanto, ris!
Fruto injustificável dentre os frutos, Montão de estercorária argila preta, Excrescência de terra singular.
Deixa a tua alegria aos seres brutos, Porque, na superfície do planeta, Tu só tens um direito: — o de chorar!
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Me diga, então, para quê serve uma poesia que você tem que ir toda hora pesquisar no dicionário o significado da palavra, e mesmo assim ainda tem que ter conhecimento e imaginação para conseguir entendê-la toda? Para nada!
De que adianta ter uma poesia com vários significados, se podemos ter uma que só tem uma leitura?
Pra quê ter cultura, se você pode sair por aí escutando o bonde do tigrão, ou então "fazer valer na cama" (que eu nunca escutei, mas meu professor de literatura comentou lá na sala…)?
Passemos, pois para uma de Drummond:
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Poema de Sete Faces - Drummond de Andrade.
Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens que correm atrás de mulheres. A tarde talvez fosse azul, não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas: pernas brancas pretas amarelas. Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração. Porém meus olhos não perguntam nada.
O homem atrás do bigode é sério, simples e forte. Quase não conversa. Tem poucos, raros amigos o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste se sabias que eu não era Deus, se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não seria uma solução. Mundo mundo vasto mundo, mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer mas essa lua mas esse conhaque botam a gente comovido como o diabo.
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Complicado de entender, não é? Mas é aquela história: sem tempo para interpretar, a pessoa não consegue entender.
Para quê serve isso? Realmente para nada… Muito melhor é ir a um churrasco, jogar futebol embaixo de um sol fodido de quente e escutar um pagodão, arriscando uns passos. Ah sim, sem esquecer do amigo chato, ou então do bêbado que está enchendo o saco.
Bom, eu ainda fico com a poesia, apesar de tudo…